domingo, 26 de outubro de 2008

Carta de amor para ele.

Sei que sou difícil, e confusa. E muito insatisfeita, e quero sempre mais, e melhor, e diferente. Sou uma besta, e uma chata, e desleixada, e às vezes até te ignoro. Mas não é por mal... Eu sou assim, e não sei ser de outra maneira. Peço que me perdoes por tudo, e que vejas além disso.

Tu és o meu amigo, o amante, a minha família, a minha casa onde eu posso regressar todos os dias, é no teu peito que eu me sinto equilibrada e inteira. Tu és meu. E eu, eu sou tua.

És tu que me acaricias, me amas, és só tu que me fazes chorar depois do orgasmo, porque nessa altura toco uma luz que só existe quando estás comigo. Porque nessa altura sinto-me verdadeiramente completa. Contigo.

O que nós temos é só nosso, e ninguém o entende. Nós não temos nomes românticos, nem alcunhas fofinhas. Nós não andamos sempre colados, e nós não precisamos disso. Estamos tão acima de tudo isso...tão para lá do óbvio. A nossa intimidade é verdadeira,  é do coração, e é mais forte do que tudo o que as palavras e acções possam fazer ou mostrar.

 

 “Não vão durar nem um mês”. Ainda bem que não lhes demos ouvidos. 

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

chuva de mudança

O cheiro da terra molhada é a primeira coisa que sinto quando abro a porta. É também uma das coisas mais deliciosas para o meu nariz sensível. Traz uma sensação de esperança, quase que se ouve a vida a pulsar no ventre da terra. A mudança. A chuva escorre como sangue, enchendo todos os espaços vazios, suprimindo o vácuo,  criando vida e caos e ordem. Tudo ao mesmo tempo. A natureza a desbravar caminho por entre os cogumelos da civilização. As sementes de promessas de futuro a esperar pacientemente pelo Sol, para despontarem e virarem o mundo de pernas para o ar. Daqui a uns meses a terra cobre-se de flores e bichos, e a vida segue o seu curso. Como tem de ser. Está tudo destinado.

Entre a morte e a vida, o caos e a ordem, ying e yang, homem e mulher, o mundo gira sem que demos por isso. A dualidade rege o universo. E eu sinto tudo isso, de olhos fechados, entre a multidão.