Observo-te, do lado de fora da janela do teu quarto. A pele translúcida, que mostra as veias palpitantes, a cor frutada das maçãs do rosto que adoro, os dedos finos e esguios de quem toca a vida com a habilidade de um artista, o peito que sobe e desce, sobe e desce, sobe e desce, com a respiração calma da presa que ignora o perigo... Oh, doce tentação! Com que forças posso eu segurar os meus músculos que oscilam com o desejo de te destruir?! Com que poder posso eu negar ao meu coração a vontade de te ter a meu lado por toda a eternidade? Como posso eu evitar a perdição da tua alma virgem e pura? É pedir demasiado a um homem que deixou há muito de ser Homem, que é hoje um monstro, onde habitam apenas os desejos de poder, os vicios mundanos, e a sede insaciável. Essa, nunca me abandona. Mas tu, pequena mortal, tu trouxeste calor ao meu coração morto, tu inspiraste-me com a tua pessoa, um desejo mais que carnal, mais que luxurioso, mais que tudo!
É impossível resistir mais. Estou já dentro do quarto, a observar-te dum canto mais escuro. O cheiro delicioso do teu sangue é a maior tentação que experimentei em séculos de existência. Os teus caracóis, que enchem o travesseiro, emanam o cheiro da tua pele, de ti, e oh, que essência irresistivel.
Tu já te apercebeste da minha presença, não é? Então de que serve prolongar a tortura? Vem a mim, meu cordeiro, não, não chores, em breve os teus olhos marejados de lágrimas vão acordar para um novo mundo, aquele que está para lá da existência mortal, que não tem as correntes da vida humana. A eternidade aguarda-te. E eu também.
sábado, 2 de maio de 2009
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2 comentários:
Oh minha Ju!
Gostei do texto... Adoro a maneira como descreves sensações...
Beijinho*
Quer dizer que afinal és tu que andas a causar a sensação dos jovens ao escrever "o Crepúsculo" lol gosto especialmente dos "oh" que têm qualquer coisa de Bocage :P
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